Canoas e Porto Alegre: entre pichações, frio e salgadinhos com ovo
Quando desembarquei em Canoas, no Rio Grande do Sul, eu não imaginava que o frio dali seria tão cortante. Vindo de Brasília, onde o vento seco até incomoda, mas o frio raramente congela os ossos, eu me vi de repente em um cenário que parecia outro país. O ar gelado me acompanhava em cada passo, e o silêncio das ruas no fim de semana me deixou com a sensação de ter chegado a uma cidade fantasma. Era um sábado. O comércio fechado, poucos carros passando e um vento insistente varrendo as avenidas. Canoas parecia deserta, quase melancólica. Caminhando pelas ruas, o que mais me chamou atenção foram as pichações — uma presença constante nas paredes, viadutos e fachadas. Não era arte de rua; eram marcas de abandono, de descontentamento, talvez de revolta. As letras e símbolos se misturavam como um grito silencioso de uma juventude esquecida. A primeira impressão foi dura. Mas é o tipo de coisa que o Roberto no Trecho gosta de registrar: o que está fora do roteiro turístico, o que o...