O pensamento de Nalva Melo
Coluna: Até quando a mulher será medida mais pelo espelho do que pela sua essência? Em uma sociedade que ainda insiste em enquadrar a mulher em padrões muitas vezes inalcançáveis, o espelho deixou de ser apenas um reflexo — tornou-se um juiz silencioso. Um juiz que aponta imperfeições, que dita regras, que cobra uma perfeição que não existe. Mas desde quando a aparência passou a ter mais valor do que a história, a inteligência, a sensibilidade e a força de uma mulher? A chamada “ditadura da beleza” não chega com imposições explícitas. Ela se infiltra de forma sutil, nas telas, nas comparações diárias, nos elogios seletivos, nas cobranças veladas. E, quando percebemos, muitas mulheres já estão aprisionadas em um ciclo de insatisfação constante — sempre faltando algo, sempre precisando melhorar, sempre se sentindo insuficientes. Não se trata de condenar o cuidado com a aparência. Cuidar de si é também um ato de amor-próprio. O problema começa quando esse cuidado deixa de ser escolha...