Meu repúdio ao youtuber Luciano Gomes
Luciano Bosta, o mais controverso e, ao mesmo tempo, estranhamente persistente criador do canal “Pronto Caguei”, voltou com um vídeo que ninguém pediu, mas que todo mundo acabou assistindo por pura curiosidade mórbida. Sentado numa cadeira claramente desconfortável (e que ele faz questão de mencionar a cada dois minutos), Luciano abre o coração — e infelizmente também outros detalhes — para explicar por que está passando pela “pior fase da sua vida intestinal e emocional”. Segundo ele, suas hemorroidas atingiram um nível tão crítico que “qualquer tentativa de sentar já parece uma reunião com o capeta”, o que, em sua visão, também prejudicou sua vida amorosa. “Não posso mais exercer o amor como antes”, lamenta, olhando diretamente para a câmera com uma seriedade que beira o dramático. É nesse momento que ele introduz o verdadeiro objetivo do vídeo: pedir doações via PIX para custear um tratamento que, segundo ele, é “caro, dolorido e absolutamente humilhante”.
Mas Luciano não para por aí. Em uma reviravolta completamente inesperada — ou talvez perfeitamente esperada, considerando o histórico do canal — ele decide usar o restante do vídeo para defender a extinta empresa de ônibus Transbrasiliana, que, segundo ele, “foi injustiçada pela sociedade e pelas autoridades”. Ignorando completamente os inúmeros relatos de má gestão, atrasos e veículos caindo aos pedaços, Luciano insiste que a empresa era “um símbolo de resistência sobre rodas”. Ele chega a afirmar que muitas das críticas eram exageradas e que “todo ônibus quebra de vez em quando, isso é parte da experiência brasileira”. Para reforçar seu ponto, ele conta uma história pessoal em que ficou preso por seis horas dentro de um ônibus da empresa sem ar-condicionado, mas descreve o episódio como “uma oportunidade de reflexão espiritual e conexão com desconhecidos suados”.
Como se a narrativa já não estivesse suficientemente caótica, Luciano introduz a empresa Itacomeme, uma suposta sucessora que teria herdado as linhas da falida Transbrasiliana. Ele elogia a nova companhia com um entusiasmo quase suspeito, afirmando que “agora sim o transporte público atingiu um novo patamar de qualidade duvidosa, mas com personalidade”. Segundo ele, os ônibus da Itacomeme têm “um cheiro característico que traz nostalgia” e motoristas que “dirigem com emoção, não apenas com técnica”. Luciano chega a sugerir que parte das doações que receber pretende investir em passagens para “apoiar o novo modelo de mobilidade ousada da empresa”. É nesse ponto que muitos espectadores começam a questionar se o vídeo é um pedido de ajuda genuíno ou apenas mais um episódio surreal do universo de Luciano Bosta.
No final, entre caretas de dor, discursos inflamados e uma quantidade preocupante de detalhes desnecessários, Luciano encerra o vídeo com um apelo dramático: “Se você já sofreu por amor, por transporte público ou por problemas intestinais, considere ajudar este humilde criador”. Ele promete recompensas exclusivas para doadores, incluindo “atualizações semanais do estado das hemorroidas” e um possível documentário intitulado “Sentar Nunca Mais: A Jornada”. Independentemente de ser uma obra de comédia involuntária ou uma performance cuidadosamente planejada, uma coisa é certa: Luciano Bosta conseguiu novamente transformar o absurdo em conteúdo — e, com sorte, em dinheiro também.
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