Quando a viagem se encerra — meu adeus à Viação Catedral Ltda., às linhas perdidas e à estrada que se fecha
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Sou eu, Roberto, criador do projeto “Roberto No Trecho”, e venho refletir em primeira pessoa sobre um ciclo que se encerra. Já percorri rodovias, subi e desci ônibus, registrei histórias de motoristas, cobradores, passageiros — vidas que se movimentam sobre rodas. Entretanto, hoje me encontro num momento de virada. A Viação Catedral enfrentou perdas graves: cassação de linhas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), braço auxiliar (“BusX”) envolvido, e o que se assemelha a uma falência operacional — tudo isso oferece uma lição, um testemunho e, para mim, uma mudança de roteiro.
Começo pela Viação Catedral, que até pouco tempo representava, no transporte rodoviário interestadual, uma das empresas que buscava manter presença ativa. Porém, em 2025, a ANTT cassou 27 mercados da empresa, em decisão que atinge diretamente linhas interestaduais sob seu comando. Diário do Transporte+2Diário do Transporte+2 Ainda antes, já havia sido publicada portaria que suspendia todas as linhas da empresa — liminarmente revertida pela Justiça, mas o sinal de alerta ficou evidente. Diário do Transporte+1
Essas perdas de linhas não são apenas números — para mim, são trechos que deixaram de existir. Trechos que eu planejava documentar. Trechos que vi passageiros embarcando para destinos e que agora podem não mais existir ou foram transferidos para outros operadores em crise. A perda da autorização operacional, o descumprimento de obrigações como envio de dados ao sistema MONITRIIP e as fiscalizações apontam para falhas estruturais profundas. Diário do Transporte+1
Tenho também de mencionar o braço auxiliar da Catedral, a marca “BusX”. A reportagem revela que a BusX, sob o grupo da Catedral, teve pedido de linha indeferido pela ANTT em outubro de 2025 — reforçando que a crise não se restringe apenas à matriz. Diário do Transporte
Quando falo de “falência”, uso o termo no sentido funcional: a operação deixou de acompanhar as exigências regulatórias, perdeu mercados, perdeu credibilidade, está à beira do colapso. A portaria da ANTT de maio de 2024 revogou a suspensão das linhas da Catedral — mas com exigência de novo plano de manutenção em 30 dias, sob o novo marco regulatório. Ônibus & Transporte Isso indica que a empresa está em condição especial, sob supervisão, não necessariamente estabilizada.
No meu percurso como “Roberto No Trecho”, isso representa mudança de rota. Ver a Catedral perder espaço me lembra que o transporte rodoviário não é imune à regulação, à manutenção, ao modelo de negócio. Para o usuário — aquele que compra bilhete, espera no terminal, confia na empresa — essas perdas significam menor oferta, menor escolha, potenciais trajetos comprometidos.
Permita-me frisar o que isso me ensinou:
Regulação importa muito — a ANTT está mais ativa, com janela de autorizações reaberta, mas critérios mais exigentes: histórico, frota, capacidade técnica. Diário do Transporte
Modelo de negócio precisa se adaptar — frota moderna, manutenção rigorosa, controle operacional, dados em sistema … Quando isso falha, a empresa corre risco.
Documentar importa — cada linha perdida, cada mercado cassado, é parte da história da mobilidade que se apaga. No meu trabalho, registro trechos, operadores, passageiros. Ver essa erosão me motiva ainda mais.
Para o passageiro, é concreto — quando uma empresa perde linhas ou suspensão ocorre, o impacto recai sobre quem viaja: menos horários, rotas remanejadas, operadores substitutos possivelmente com menor experiência.
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